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Na minha pele

Na minha pele. (Lázaro Ramos) Não é um livro. Coisas assim não deveriam nem ocupar as estantes nas livrarias, muito menos deviam ser vendidas. É muito mimimi. Isso que não chamo de livro, (usa a linguagem do texto e o suporte do papel para existir) fala de coisas tão corriqueiras, tão comuns, tão do dia a dia que nem deveriam estar ali. Nem causam espanto por serem comuns. Esse moço não fala de exceção, ele fala da regra. A regra é essa. A regra é que todo mundo tem o poder de ser invisível. Quanto mais a pele é branca, menor é o poder. O máximo do poder é de quem tem a pele negra, preta. Esse consegue passar desapercebido, nas escolas, nos bares, nos teatros, entre os médicos ou engenheiros, nos altos postos do governo, na publicidade …. Normal, essa é a regra. Sou eu que saí da curva. Filha de mãe branca e pai preto, tenho meus privilégios. Criada na estrada, sem muitos vínculos, os problemas de não ter pares nas escolas, estavam …

Fábula do amor em pedaços

Feliz pelos 46 anos de muitas caminhadas triste só pra fazer rima. Feliz por todos que compartilharam a comida ontem e triste por aqueles que não chegaram. Podemos ser alegres e triste ao mesmo tempo e com a mesma intensidade; Feliz pela atleta Karina Oliani que se torna a primeira mulher sulamericana a subir as duas faces do Everest  e triste pelas mortes que marcam mais um dia do gigante branco. (até o momento 3 sonhos chegam ao céu) Triste pela forma que nós temos tratado a prisão da Andrea Neves, feliz por saber que seus atos possam ser julgados e ela responsabilizada. Triste por saber que nós podemos ser bem melhor que ela, mas tem hora que não mostramos isso. Feliz pois podemos mudar. Hoje alegre pela partilha dos amores e triste pelos pedaços. A todos que partilharam mais essa empreitada que não faltem pedaços nem amor. imagens de livre inspiração cedidas sem querer por Mãe, Patricia Brito, Adriano Matos, Du Pente.

em tempo de pouca fé

Em tempo de pouca fé Em tempo de pouca fé, eu tenho ficado mais tempo na janela, Em tempo de pouca fé, eu tenho acreditado mais nas pessoas Em tempo de pouca fé, eu tenho olhado mais para as estrelas Eu tenho sentido mais frio, Em tempo de pouca fé, eu tenho olhado mais para os lados, Em tempo de pouca fé, eu tenho acolhido mais os erros dos outros e os meus, Em tempo de pouca fé, eu tenho respirado fundo, Eu tenho lido mais, Em tempo de pouca fé, eu tenho doado mais Em tempo de pouca fé, eu tenho ficado cada dia com menos, Eu tenho ficado mais leve Em tempo de pouca fé não há reza que espante o medo Em tempo de pouca fé tenho esquecido as orações … tenho atentado para as emoções Eu tenho tomado mais chá. Em tempo de pouco fé, tenho esperado menos peixes Em tempo de pouca fé eu tenho cozinhado mais com cravo, Com cravo. Em tempo de pouca fé eu aprendo Em tempo …

Ja passei muito pano

A lua me acordou. Sei o que sou contra mas não sei o que sou a favor. Desde o quase fim do carnaval estou tentando escrever para falar da experencia deste ano. O texto já tem título > sobre o caos e a alegria, já tem foto. No entanto outro assunto tem tomando conta dos meus pensamentos. Abusos. Não tenho sabido como lidar com o aumento de caso de abusos de homens contra mulheres da minha timeline. Não estou me referindo e nenhum caso específico – pois não é só um. Sobre os casos que estão na rede, não tenho interagido. A única exceção foi um texto compartilhado por uma amiga que fala contra a cultura do escracho. Um texto que relata como o escracho tem favorecido a exposição da vítima. Apenas curti o texto. Ponto. Até o momento sou contra o escracho, só não me venham falar que eu relativizo o escracho, pois quando é a Skol eu entro de sola. Empresa não sofre, perde dinheiro apenas (quando perde). Voltemos, preciso falar do meu …

isso aqui é bem brasil.

passei a última semana em um lugar onde a comida não faltou, mas posso dizer que é racionada, a cama mesmo pra mim que era de fora, também foi compartilhada. estava num lugar que mesmo tendo energia elétrica o banho é sem chuveiro, é frio. estava em um lugar onde chega o gás de cozinha mas o almoço é feito mesmo no fogão a lenha. estava num lugar onde muita tem gente tem celular, mas nem pense que é iphone – é dos modelos simples mesmo.  estava num lugar onde o poder econômico não permite o ir e vir das pessoas. estava num lugar onde quem tem pouco é porque o gavião pegou os pintinhos ou o porco morreu, e recebe do governo duzentos e dez dinheiros. e quem tem muito recebe oitocentos. estava em um lugar que todos tem casa mas não são donos da terra. estava num lugar que podia ser cuba, lá já estive também. mas nesse lugar o pé de quem foi picado por cobra ficou “ofendido” pois a reza só …

não ao estado mínimo de direitos

Nossos direitos nos foram negados por tanto tempo que as vezes tenho a impressão que nós estamos nos contentamos com pouco. Pouco avanço pra muita dívida. Não ao estado de mínimo de participação Não ao estado mínimo de fala Não ao estado mínimo de planejamento Não ao estado mínimo de questionar as burocracias Não ao estado mínimo de radicalidade Eu sou pela máxima de direitos. E por falar em direito, não sou advogada e não sei de outros significados que o termo estado mínimo possa ter, então conto com a generosidade de quem me lê, que me ouça pelo que eu digo e não pelo que está escrito na cartilha que eu desconheço. Não ao estado mínimo de paciência para ensinar e partilhar. não sou meia, sou parte e sou todo.

a cidade que eu quero

A cidade que eu quero tem urgências que não são as minhas A cidade que eu quero escuta e constrói junto A cidade que eu quero não tem medo errar, mete as caras e radicaliza A cidade que eu quero olha pro lado e não pra cima. A cidade que eu quero não negocia com PM o trancamento de rua – pois os opressores não negociam a violência. A cidade que eu quero, enfrenta. A cidade que eu quero não negocia privilégio, denuncia. A cidade que eu quero não recebe favores, recusa. A cidade que eu quero não negocia direitos, exige. A cidade que eu quero não recebe convite pra festa popular, ocupa. A cidade que eu quero, ouve A cidade que eu quero, fala A cidade que eu quero não decepciona A cidade que eu quero é a cidade que queremos.

MUITAS de trem!

Meu sentimento é que estamos agora em um trem, daqueles que dá pra correr e segurar nas laterais e pular pra dentro! Tem uns escorregões, umas pedras soltas nos trilhos! Mas agora estamos no último vagão, vendo a linha do caminho percorrido ficando pequenina na curva! Estamos tomando aquele ventinho gostoso no rosto, num ritmo suave que só o trem tem! Hoje vamos entrar num túnel, em uma estrada que não conhecemos e não sabemos o tamanho! Sem pensar muito, vamos prender a respiração e ver quem ganha a brincadeira!!! Em meio a muitos risos vamos chegar no fim do túnel, vendo que não era tão grande quando pensávamos e a estrada do lado de lá estará bem mais bonita! Eita trem bão sô! Obrigada a todas que toparam fazer essa viagem comigo!! Quem entrou na estação e quem entrou pelo caminho, estamos agora no mesmo trem!!!