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Minha história com eleição presidencial desde 1989

Devia ser 1977, sai com minha mãe. De mão dada fui passeando pela cidade de União da Vitória PR, vendo pessoas entregando papeis que eu não podia pegar, minha mãe não deixava. Se pegar de um vai ter que pegar de todos!! dizia ela. Minha mãe entra numa cabine de madeira, fecha a cortina de tecido e vota. Na época MDB e ARENA, não sei em quem ela votou, mas sei quem ganhou – para prefeito foi Arena (vide site do TRE).

Pausa nas lembranças e chego em 1989 com 18 anos, e agora eu mesma iria cumprir o rito. Mas como não tinha aprendido nada entre aquele primeiro encontro com a urna e agora, era tudo novidade. Na época fazia pré-vestibular no Aprova – em frente ao Parque Municipal, e as aulas, principalmente de história só se falava de eleição. Professor lá fazia campanha mesmo, era escola com partido. O de História, não me lembro o nome, mas ele comia giz, e fazia campanha pro Brizola e assim foi meu primeiro voto para presidente da República.

Votei 12, e Lula foi pra segundo turno, ganhou do Brizola por pouco. Fiquei arrasada. minha primeira derrota política. Ao chegar na escola, la estava o professor com o tradicional botom do PDT e ao lado a estrela do PT. A turma foi abaixo:  que isso professor – vira folha, vira casaca … até ontem o Lula não era bom e agora o sr (sim sempre chamei a ainda chamo professor de senhor) fazendo campanha pro PT. Ele respondeu com um sorrisinho típico: Que isso minha gente, sou PT desde criancinha!!! E a conversa continuou e ele falou, gente vocês precisam aprender desde já – política é um jogo, temos que saber pra quem vamos torcer e de que lado vamos jogar. Quem foi pro segundo turno foi Lula e Collor: vocês já conhecem os dois – façam suas escolhas. Eu preferia o Brizola, mas agora o que mais se aproxima do que eu espero pro Brasil é o Lula – com todas nossas diferenças, vou fazer campanha pro Lula, e acho que vocês deveriam fazer o mesmo. E assim foi, votei no Lula no segundo turno.

Perdi – minha segunda derrota política e em mais algumas aulas fui aprendendo que perder um pleito não é abandonar a construção de ideais, e assim fui devagar me envolvendo em questões para além de partido – em questões do meu dia a dia, ajudando minha mãe na associação do bairro, fazendo campanha para saneamento básico na minha rua,  (morei uns 8 anos em casa com fossa e água era dividida com o vizinha da rua ao lado que aceitava fazer um gato de água para nossa rua).

Mas logo depois da eleição eu senti uma diferença muito grande entre o momento das eleições, os discursos e a prática. A insatisfação e o tumulto da classe pobre na época, me tocou e eu percebi, estou vivendo um momento histórico. Essa eleição foi um momento histórico. Algo importante de mudança pode estar acontecendo agora no Brasil, que só vamos ver mais adiante. Desta foram decidi guardar a memória dessa eleição, sai a procura de material de todos os candidatos para guardar. Pena que não consegui de todos. Mas aqui está minha coleção que marca pra mim e sei que história de vida de muitos brasileiros. Tem muitos textos legais e divertidos: mas olha só esse que legal, parece que foi escrito hoje:

(vou tirar o nomes dos partidos e candidatos e vocês completem como quiser)

“ não há como conciliar. Esta história de votar no “mais progressista, no “menos pior”, os trabalhadores já o conhecem bem. Trata-se de uma forma escamoteada de apoiar uma das variantes dos inimigos do povo, que através do discurso demagógico tentar se passar por “progressistas” ou de “esquerda”. XXXXXXXXX e XXXXXXXXXX são dois exemplos típicos. Ambos são patrocinados por grandes empresários e estão comprometidos com a permanência do capitalismo no Brasil. Apoia-los representaria abandonar a politica classista e capitular perante um projeto que de antemão sabemos, continuará oprimindo e explorando a classe trabalhadora. Portanto não há como vacilar! (trecho de um manifesto do Partido da Libertação Operária 1989 – quem quiser o texto completo me chama aqui)

mudei, aprendi a perder muito e ganhar pouco, mas assim sigo. coerência não pode ser sinônimo de omissão. escolha difíceis vem pela frente. 2018 já começou. guardem seus panfletos.

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andeira que sou ando. ando, escrevo, leio e curto a estrada. de pés descalços vou seguindo a vida, abrindo a janela quando chove e com uma mala sempre pronta pra seguir. Partir é parte do caminho e chegada nem sempre o fim.

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