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Eu fui Jesus na procissão católica.

Tenho uma relação particular sobre religião. Acho um assunto bem particular para ser tratado dentro de círculos muito próximos e de muito afeto. Fui criada no catolicismo, batizada, fiz primeira comunhão na igreja católica e por escolha não fiz a Crisma. Para quem não sabe – Crisma é uma confirmação do batismo – e na época não aceitava várias condutas da Igreja que frequentava e resolvi que ali não era meu lugar de fé..

Sim frequentava, ia a missa todo sábado, fazia parte do Grupo de Jovens [Jovens amigos de Cristo] na paróquia do Bairro Floramar. fazia campanha do quilo e as quinta feiras ajudava no Sopão que era distribuído as pessoas carentes do Bairro.

Segunda feira era dia de reunião Espírita no Espaço Caminhos para Jesus, ia tomava passe, recebia mensagem psicografada. Em alguns dias do ano ajudava minha mãe a lavar a casa com sal grosso e outras folhas, deixava doces no Jardim pros Meninos de Angola outros diziam que era pra Cosme e Damião, mas eu sempre soube que era pros Meninos de Angola mesmo.

Em minha casa tinha duas Bíblias, uma espírita e outra evangélica, católica mesmo acho que nunca teve. Mas minha mãe sempre disse, se quiser ler a Bíblia qualquer uma serve . Tinha também Nosso Lar, alguns livros de meditação budista … letras de pontos de Umbanda, Candonblé até hoje não sei a diferença – mas também não faz diferença quando o respeito é igual. Respeito igual sempre tive pelas imagens de cristo na cruz, pela Nossa Senhora das Dores, e do Preto Velho sentado fumado seu cachimbo que enfeitavam as estantes da casa

Em um ano que a Mulher foi tema da Campanha da Fraternidade eu fui Jesus na procissão da semana Santa. Fiquei bem irritada com o Padre pois tive que ficar horas com os braços levantados na hora da crucificação – e vou te falar uma coisa, não é fácil!!!!!

Nessa Igreja Católica, vivi momentos bem legais outros nem tanto. Conheci um seminarista que decidiu se casar espero que esteja feliz até hoje – era o Lutcho (ele era de algum pais Latino) Outro seminarista que era negro, filho de mãe de Santo na Bahia, usava cabelo rasta, e tinha umas guias penduradas no pescoço junto ao crucifixo. E quando era perguntado, não hesitava em dizer que era filho de mãe de Santo e isso ele não iria mudar, mas a fé dele era em Cristo e por isso iria ser padre sem deixar de lembrar de sua história.

Esse é o Clovis, se ordenou de cabelos curtos ou careca não me lembro, em uma roupa branca linda, com a igreja sem nenhum banco mas  com música e muito axé escrito em grandes faixas nas paredes da igreja. Pra ele fazer isso teve que ter uma autorização especial do Bispo, Papa, sei lá de quem. Não foi fácil para ele mas nós achamos o máximo – foi quase uma missa Conga! feliz! Depois disso ele foi mandado para outra cidade e nunca mais tivemos notícia, quem sabe esse post me ajuda a achar esse Padre, (Clovis – ordenou por volta dos anos 90 na paróquia do Bairro Floramar em BH) espero que esteja de novo com os cabelos lindos levando a palavra e muito afeto como fez com o nosso grupo de jovens.

Pois bem não foram só coisas boas que vivi nas religiões que tive acesso, por isso escolhi outros caminhos, mas deixemos os problemas pra outros texto! por isso certamente eu não faria opção de sair de minha casa para ir ver uma peça de teatro ou um filme que fale desse tema. Mas a minha formação por sí, já fala da tolerância. E não fui criada com verdades absolutas, fui criada para fazer escolhas. livre arbítrio, carma, responsabilização e respeito.

Hoje quando vejo uma pessoa sendo proibida de encenar uma peça que fala de afeto através de textos religiosos – fico espantada. Fico chocada, e então eu saio da minha pele para me colocar no lugar de uma outra mulher. Me coloco no lugar de uma mulher que assim como eu fiz, está se colocando no lugar de Jesus. Hoje saio de minha casa para ir ver essa peça e convido os amigos para irem também, pois para além da religião estamos falando de fé.

Fé que podemos ser pessoas bem melhores.

O EVANGELHO SEGUNDO JESUS, RAINHA DO CÉU  está em temporada em BH na FUNARTE do dia 5 a 8 outubro. Ingressos

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andeira que sou ando. ando, escrevo, leio e curto a estrada. de pés descalços vou seguindo a vida, abrindo a janela quando chove e com uma mala sempre pronta pra seguir. Partir é parte do caminho e chegada nem sempre o fim.

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