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Ja passei muito pano

A lua me acordou.

Sei o que sou contra mas não sei o que sou a favor.

Desde o quase fim do carnaval estou tentando escrever para falar da experencia deste ano. O texto já tem título > sobre o caos e a alegria, já tem foto. No entanto outro assunto tem tomando conta dos meus pensamentos. Abusos.

Não tenho sabido como lidar com o aumento de caso de abusos de homens contra mulheres da minha timeline. Não estou me referindo e nenhum caso específico – pois não é só um.

Sobre os casos que estão na rede, não tenho interagido. A única exceção foi um texto compartilhado por uma amiga que fala contra a cultura do escracho. Um texto que relata como o escracho tem favorecido a exposição da vítima. Apenas curti o texto.

Ponto. Até o momento sou contra o escracho, só não me venham falar que eu relativizo o escracho, pois quando é a Skol eu entro de sola. Empresa não sofre, perde dinheiro apenas (quando perde).

Voltemos, preciso falar do meu incomodo de como as coisas estão indo. Amigos abusando de amigas – sim pois anônimo só se for pra vocês, pois pra nós, as vítimas, tem nome, idade, endereço. Pois é na nossa porta que elas batem. Só que a porta mesmo estando sempre aberta, cada dia são menos procuradas, a certeza de que não vai dar nada está reinando na terrinha. Não vou escrachar, mas se eu vou tirar satisfação com o homem: pago de louca! Faz cara de coitado ou de paisagem, posso escolher!

É, então como é que faz? Deixa quieto? Faz BO? Deixa pra lá!

Ampliando o problema, ontem foi mais um dia de desalento, fui no FECHA A SANTA, em meio a uma festa linda, a cada fala durante o show – mais uma rasteira. As organizadoras implorando para a comunidade LGBTIQ façam as denúncias de agressões, a fala que mais me marcou foi: – Gente por favor, nos procurem para fazerem suas denúncias, são poucos os casos recebidos apesar de conhecermos de perto a realidade – Nós NÃO SOMOS NEM ESTATÍSTICAS.

E mesmo assim continuamos brincando e tentando ser felizes e dentro do possível, nós somos.

Como lidar com o outro lado da festa?.

São cada dia mais casos de discriminação, violência contra mulher, negras e negros, pobres, gays, índios …. e a solução cada vez mais distante.

NÃO ESTOU SABENDO COMO LIDAR.

Não quero atacar, para proteger a vítima – mas tá ficando fácil pros caras. Quando cai na rede, uma nota resolve. Quando a mina não quer expor, fica ali só a gente engolindo seco e galerinha de fora falando que estamos passando pano!! Vão a merda vocês que não sabem nem a metade das histórias.

Vítimas estão ficando mais caladas e opressores fazendo cara de paisagem, tudo na minha timeline.

E ainda tenho que ouvir: “mas você ainda não excluiu o cara dos seus amigos?” Não! E por que não? – Porque eu vou continuar encontrando com eles e com as vítimas nos roles! Não vai fazer a menor diferença nem pra mim, nem pra ele.

Já passei muito pano no chão da ocupação Tina Martins para ter um espaço pra proteger mulheres. Esse pano passo com prazer.

E a lua me acordou e agora me chama pra dormir de novo.

Pode ser que tenha sido só um sonho, pesadelo no caso.

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andeira que sou ando. ando, escrevo, leio e curto a estrada. de pés descalços vou seguindo a vida, abrindo a janela quando chove e com uma mala sempre pronta pra seguir. Partir é parte do caminho e chegada nem sempre o fim.

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