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Feminista?

Feminista, eu?

Pois bem, quem me conhece sabe que eu não faço parte dos movimentos feminista de bh, e essa é uma decisão particular que eu pretendo deixar no particular mesmo. Assim como eu também não vou a marcha da maconha! Enfim, sou mulher e acho que eu tenho direito a escolher quais lugares eu quero estar certo? Sim sou a favor da regulamentação para uso de todas as drogas.

Pois bem, talvez por esse motivo tenha passado na minha timeline, um post de uma Página que fala sobre uma mulher que não é feminista (não, não vou falar qual pagina, pois isso será considerado discurso de ódio por parte de uma petista – sim, acreditem nisso, e eu nem sou petista)

Mas o título me interessou, claro, fui lá ver qual era. Demorei um pouco a chegar em posts que falavam sobre os pontos de vista da Página, e claro pela atual conjuntura, estavam debatendo o caso do estupro. A Pagina em um momento resolve ser didática ao se colocar como não feminista dá suas propostas em contraponto aos que ela chama de propostas feministas.

Uma das propostas é o porte de armas livre para todas as pessoas. Segundo a Página, se todo mundo tivesse uma arma ficaria mais fácil se defender de abusos e estupros. Então eu fiquei pensando: como seria uma filha apontar a arma para um pai ou mãe, ainda mais se esse filho ou filha for uma criança que ainda não tem noção do que está acontecendo. Como seria uma neta apontar uma arma para um avô ou avó, tio ou tia, professor ou professora . Como seria uma pessoa apontar uma arma para um companheiro ou companheira que além da violência sexual muitas vezes pratica a violência psicológica, além de agressões físicas que incapacitam a vítima de uma defesa. Como um garoto apontaria uma arma para um líder espiritual a quem ele tem total respeito e confiança. Como eu teria condições de comprar uma arma e aprender a lidar com ela, sem colocar mais ainda a minha vida em risco. Abre aspas “mais a frente descubro que a página é contra o aborto, por matar o feto” fecha aspas. Sim sou a favor da legalização do aborto, faz quem quer, quem não quer não faz.

suspiro um, e continuo.

Outro argumento é de que se pessoa foi “realmente abusada”, ela deve buscar a delegacia. Ela ainda fala que realmente deve ser difícil, mas que esse isso é fundamental para que se acabar com esse problema, pois só assim todos os culpados serão presos.  E não meu entendimento ficou que se pessoa é abusada e não busca a policia é porque consentiu? Eu fiquei pensando se essa Página já entrou numa delegacia com uma pessoa toda esfarrapada, suja, chorando … se ela sabe como muitas vezes essa pessoa é tratada por policiais, que julgam antes de averiguarem, que questionam para saber os detalhes… que deixam essa pessoa horas até que seja atendida pela pessoa responsável (sim todas as indagações anteriores foram feitas por policiais que nem tinha que fazê-lo) Será que essa página já viu, mulheres, desistindo de denunciar para evitar passar por mais esse constrangimento. Ah mas existem delegacias para mulheres, existe a lei Maria da Penha, sim existe e ainda bem. Mas sabe quantas delegacias existem? Sabe que muitas vezes durante o processo a pessoa abusada e o agressor se encontram frente a frente e ao final voltam juntos para casa, pois como não há flagrante delito, o agressor não pode ser preso, tem que esperar o julgamento. Sabe o que voltar pra casa com a pessoa que te agrediu e que sabe que se inquérito for até o fim ele poderá ficar até seis anos preso, e você volta pra casa  com o agressor ou agressora por não ter pra onde ir? Ah, mas tem casa de abrigo a acolhimento para mulheres em situação de violência. Sabe quantas casas dessas tem em BH, acho que 2 (eu só conheço uma) e sabe quanto tempo se pode ficar lá, 2 dias.

Outro detalhe desse argumento é que se dever ir a delegacia levando o maior número possível de provas. Ei fiquei pensando o que seria provas, eu teria que filmar a agressão. Numa rua a noite sozinha como provar? Ah mas você não deve andar sozinha a noite. E as 5:30 da manhã indo pegar um ônibus para trabalhar, já que moro distante do trabalho. Talvez eu não devesse trabalhar também?

  • Será que os líderes espirituais quando abusam das pessoas, quando pais, mãe abusam dos filhos e filhas, quando as pessoas de classe alta são violentadas, quando as famílias dos militares com grande índice de violência doméstica, entre outros, também são influenciadas pelo funk? Será também pelo Aché, pela MPB, pelas marchinhas de carnaval … pelos livros sagrados …

suspiro dois, e continuo.

Um outro argumento é a castração química. Desse tópico não vou falar muito, pois desconheço o assunto, só vou trazer mais uma fala da Página, sobre os muitos casos de abusos que no futuro são provados que são falsos. Só uma dúvida, isso é reversível. A morte eu eu sei que não é.

Mas tem o lado bom, se deixássemos todos esses argumentos e ficássemos só com um:

Existe machismo, sim essa Página concorda que existe machismo.

suspiro três e vou escrever.

Sem conversa, não há conversa amigos.

Eu deixaria esses argumentos e começaria uma conversa por aí, pelo machismo, mas é uma pena que muitos amigos e amigas, já esqueceram de como se conversa.

 

 

 

 

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andeira que sou ando. ando, escrevo, leio e curto a estrada. de pés descalços vou seguindo a vida, abrindo a janela quando chove e com uma mala sempre pronta pra seguir. Partir é parte do caminho e chegada nem sempre o fim.

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