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Eu tenho HIV positivo entre meus amigos, e daí?

Início de 2016 e recebo a notícia de mais um desserviço da rede Globo de televisão com relação a informação sobre a AIDS.

Então vou contar minha história, que não é nenhum seriado de TV mas é verdadeira.

Meu primeiro contato com a AIDS foi mais ao menos em 1994. Numa tarde de sábado, na casa de uma amiga aqui perto de BH um amigo vem e me fala: Eu tenho AIDS.

Ele havia escolhido contar para cada amigo de uma vez, neste dia eu era a última a saber de todos que ali estavam. Eu fiquei 1 segundo em choque, corri e dei um grande abraço e acho que falei pouco mais que: nossa!!!

Depois do susto, briguei demais com ele, disse que aquilo não era jeito de contar uma coisa daquela (como se houvesse outro jeito), falei, falei, falei. Na volta da cidade dentro do ônibus viemos sentado lado a lado e eu quis saber de tudo, de como tinha sido a transmissão, de como foi o diagnóstico, como era o tratamento, como estava a relação dele com a família e com os outros amigos (da minha turma eu já sabia, para nos estava tudo bem). E ele falou.

Para contextualizar, nessa época as campanhas de TV falavam que AIDS matava, não se sabia muito bem como era o contágio, as informações eram frágeis, víamos todos os dias grandes artistas morrendo … Mas pra mim, aquele amigo nunca representou a morte, mesmo triste e preocupada com situação nunca tive medo por mim, tive medo por ele.

E ele me contou, do apoio da família aos ex-amigos que se afastaram. Da dificuldade com trabalho e da forma de tratamento.

Vimos ele indo 3 vezes pós semana passar as manhãs no hospital fazendo o tratamento, durante meses – isso o impossibilitava de trabalhar! Fizemos vaquinha para comprar o remédio uma vez que o governo atrasou a entrega … sei lá o que aconteceu, vimos ele ficar doente e ser internado, pneumonia eu acho, e vimos ele ficar bem assim como todos nós ele tem altos e baixos.

Hoje vemos ele feliz, trabalhando, amando, brincando e brigando!

Depois vieram outros amigos, amigas, conhecidos, uns vieram outra já se foram.

Desde essa época nunca tomei nenhum remédio anti HIV. Já abracei e beijei muito esses amigos, e já devo ter dados umas boas trombadas com eles dançando forró por aí!

Ano passado um amigo me corrigiu numa conversa, sobre a forma correta de falar sobre as pessoas que são soro positivo, na hora fiz as devidas correções mas confesso que já esqueci.

Então podem me corrigir de novo!

Mas quero falar que a nomenclatura pode ter mudado, mas minha relação com esses amigos continuam a mesma!

Sexo seguro com camisinha.

Em caso de exposição a situações de risco com sangue, como estupro ou acidente – procure um médico e tome tudo que for necessário.

Em caso de situações de amor, abrace muito e seja feliz!

Para me cuidar, só me preocupo com o sangue das pessoas. E o sangue dos meus amigos estão muito bem guardados, dentro de corações enormes e transparentes. Não consigo ver quem tem alguma doença, mas consigo sentir os que tem amor.

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andeira que sou ando. ando, escrevo, leio e curto a estrada. de pés descalços vou seguindo a vida, abrindo a janela quando chove e com uma mala sempre pronta pra seguir. Partir é parte do caminho e chegada nem sempre o fim.

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