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Não privatize a cidade, faça uma boa gestão do que é público.

Não posso afirmar que Cuba tenha serviços melhores que daqui. Já fui pra Cuba e sei que lá tem tantas contradições como aqui. E antes de mais nada que fique claro: não sou a favor de nenhum tipo de ditadura, seja política, econômica ou religiosa, etc. Então vamos falar de Brasil e vamos falar de direitos.

Com relação a saúde posso falar da minha experiência pessoal. Uma pessoa da minha família teve um câncer muito difícil e mesmo tendo plano de saúde foi encaminhada para o Hospital das Clínicas pois lá é referência nestes casos e me parece que em leucemia também. Fez um tratamento longo e difícil e está bem. Agradeço ao SUS. Não sei bem, mas me parece que a Santa Casa e o João XXIII têm especialidades de referência em queimados e traumas assim como o serviço de atendimento a acidentes feitos pelo SAMU, que é SUS também.

Quanto a educação, lembro de ver as escolas públicas como referência em educação básica e segundo grau sim. Temos na área de pesquisa algumas Universidades públicas com bons rendimentos e com cursos respeitados. Está sucateada, sim, mas sem investimento não há nada quem resista. Mas acredito que temos condições de termos educação de qualidade pública.

Quanto as estradas, você tem razão: na questão técnica não há dúvidas que as privatizadas estão em melhor estado de conservação, segurança e de serviços. No entanto é importante avaliar o que é um “bom serviço”. Quanto eles nos custa. Morando em BH pode ser que estejamos longe de ver essa realidade das cidades impactadas pelos pedágios. Cidades muito próximas que antes tinham uma comunicação fácil para estudo, trabalho ou mesmo passeio hoje é impossibilitado pois um empresário não quer pagar o pedágio para um funcionário se locomover, um estudante não pode arcar com mais esse custo na conta da escola e para o passeio nem pensar em pagar x R$ só para ver um rio. Então acho que antes de falarmos que as estradas privatizadas são boas, vamos pensar no contexto que elas estão inseridas e não avaliar apenas a parte técnica, mas a parte humana da situação.

Meu pai trabalhou mais de 40 anos em empresa de terraplanagem como mecânico e ele sempre me diz: o asfalto no Brasil não é feito para durar, eles sabem como fazer com qualidade – mas não fazem, eles sabem que precisa de manutenção e não fazem! O que a gente sabe muito bem é que não é feito por conta dos desvios, roubos, propinas e por aí vai. Ando muito por esse interior do pais, e me envolvo em muitas discussões para além da minha profissão. Já andei em muita estrada de terra – ruim, que os moradores das cidades me provam com documentos no diário oficial que essas estradas já estão asfaltadas há vários anos (pelos documentos do governo) e que sendo assim eles nem podem pedir o asfaltamento!

Mesmo se esses argumentos não forem válidos, vamos falar de direitos. No Brasil o serviço público não é de graça, nós já pagamos com uma carga tributária enorme. Já teve até uma CPMF aí que era para ajudar, então por que pagar duas vezes.

Há cidades no Brasil e no mundo que estão implantando a tarifa zero no transporte, isso é gestão de recurso público. Sim é possível.

Se pobre tá comprando Iphone e andando de avião, escolha deles. Economia de mercado se eles têm dinheiro que bom. Mas quanto aos direitos básicos: escolas, hospitais, transporte, parques, praças, teatros públicos não é só para os pobres é para todo mundo.

Agora se mesmo assim, não é do seu interesse participar desse movimento contra a privatização da cidade eu entendo. Existem vários movimentos sociais e culturais que eu também não acompanho, mas também não desqualifico. São escolhas das coisas que queremos e podemos apoiar.

Agora falando de partido. Já votei várias vezes no PT e algumas me arrependi, fazer o quê, fiz o que achava certo naquele momento. Sim eu sou esquerda, mas o governo que está aí, não é. Eu estou procurando mudança, que com certeza não é Aécio, Cunha e muito menos … Lacerda.

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andeira que sou ando. ando, escrevo, leio e curto a estrada. de pés descalços vou seguindo a vida, abrindo a janela quando chove e com uma mala sempre pronta pra seguir. Partir é parte do caminho e chegada nem sempre o fim.

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