andeira, Equador, escrevendo, Peru, Vale do Colca - Perú, viajando
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Eu também sou uma montanha.

“Porém decidiu deliberadamente ignorar os nomes nativos … Chomolungma(deusa mãe do mundo) ou Sagarmartha (deusa do céu) “* nomes da mais alta montanha hoje conhecida com Everest.

Um dia quis conhecer essa Deusa, K9, Annapumna também. Familiarizada com Escalão Hillary, a plataforma Balcony, cume do Lhotse, o jet stream, usar ou não oxigênio, a crista. China, Nepal, Dehra Dun, Katmandu.

Everest é feminina. Em tons de branco esses termos povoaram meu imaginário por um bom tempo. De alpinista pra montanhista.

Um dia cheguei a 4 mil metros. Não estava escalando e passei muito mal. Senti um pouco do que já havia ouvido falar sobre o mal da montanha. O sonho de ir ao Everest já havia ficado para trás, mas mesmo assim veio uma tristeza profunda, ao pensar que se tivesse ido não teria conseguido. Se não passei bem aos 4 mil o que seria então nos 8.848 mil metros. Foi a tristeza dos que esperam tudo dessa vida.

Com a tristeza no canto esquerdo, a vida seguiu. Um dia tive a oportunidade de estar novamente acima dos 4 mil metros. Avalia, lembra do mal passado enfrenta. Um amigo vai comigo até 3.500. O caminho começa a ficar turvo, mente embaralhada, folha de coca já não segura mais. Meu amigo decide voltar, e eu imprudente, decido seguir sozinha. Nesse caminho, eu foi só, fazendo escolhas e sabia que uma hora teria que fazer a pior escolha para quem um dia pensou em ir até 8 mil. Teria que decidir, sozinha, a hora de voltar. Teria que decidir sozinha até onde eu poderia ir, até que ponto era seguro confiar em mim.

Foi um lindo caminho para o topo de um vulcão. Fui, parei muitas vezes no caminho, me perdi, voltei pra trilha e sim, uma hora tive que decidir voltar. Uma ave me fez companhia, podia ser um condor, com ela não me senti só. Voltei e já não me senti tão triste quando passei mal pela primeira vez. Vi que sempre podemos avançar.

Dias depois tive a oportunidade de ir a 5 mil metros. Pensei com sorriso largo, acampamento base do Everest está a 5300. Meu Everest será aqui.

Fui, sem preparo numa caminhada simples e sem equipamento. Com o guia, dessa forma chegaríamos em segurança a 4864. Animada subi como quem anda na Serra do Cipó. Nada de mal, o mal da montanha tinha ficado para trás. O que um dia foi uma tristeza por não poder seguir, hoje trouxe o alento que se eu tivesse ido, talvez tivesse chegado. O guia vê minha alegria em chegar, e me pergunta se eu quero subir um pouco mais. Claro!! ele então me autoriza chegar aos 5 mil. Entro na trilha, avanço pouco, a diferença de terreno é surpreendente, sem equipamento não consigo me equilibrar muito na neve. Avanço a passos curtos, o tempo fecha, começa nevar, bem pouco, mas o suficiente para me lembrar onde estou. Na montanha. Acho que avancei pouco a partir do acampamento. Mas estive na trilha com os montanhistas passando, com equipamento, a caminho do topo, que pra eles ainda levaria dois dias, de subidas e descidas até o ataque final. Me senti parte da equipe. Sem o drama o primeiro dia, decidi fácil a hora de descer, pois tinha a certeza que poderia voltar. Pois meu corpo é uma montanha e se adapta ao tempo.

Ali foi meu Everest, minha Sagamartha minha conquista diária de cada sonho.

Hoje choro com todos aos pés Chomolungma (Everest) e peço que a Deusa Mãe do Mundo dê conforto a seus filhos.

Que um lugar de sonhos para tantos, seja também de alentos para todos.

*no ar rarefeito. joh krakauer

Foto – Cotopaxi. Vulcão 1 Pichincha . vulcão 2 Cotopaxi – Equador, e a primeira ida aos 4 mil foi a caminho do Vale do Colca no Peru.
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