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Vamos ter que reaprender a sonhar, mas desta vez com os olhos bem abertos. Ontem eu tive (vivi) um sonho

peléfonte da foto> Uol educação

Imagem 7/15: Copa do mundo de 1970. Pelé levanta a Taça Jules Rimet conquistada no México, ao lado do presidente Emilio Garrastazu Médici (Arena). Além da conquista da Copa, no governo Médici ocorreu um dos períodos de maior repressão e violência da ditadura.

isso confunde a gente!!!

 

Ontem eu tive (vivi) um sonho

Sonhei que eu estava na frente de DOPS, pedindo pela liberdade de amigos, conhecidos e tantas outras pessoas estavam presas e torturadas.

Passava de mão em mão uma lista com fotos pequenas, em P&B, feitas em xerox de baixa qualidade com a imagem e nome de muitas dessas pessoas.

O clima era tenso, muita polícia, poucas pessoas, o medo tinha um som estridente e um odor fétido.

Sonhei que os direitos de liberdade estavam sendo tolhidos pela própria justiça. Liminar após liminar e as estrelas iam se apagando.

Sonhei que antigos amigos e conhecidos me apontavam o dedo me chamando de burra e de reacionária por se contra o estado que o país se encontra.

ME ACUSAM de ser CONTRA o meu país. Justo eu que ando pelos cinco cantos dessa terra, e que amo cada grotão, porteira emperrada e canoa furada por onde já passei.

E quanto mais sonhava (vivia) mais as datas se misturavam na minha cabeça. Vinha na minha memória nomes de ditadores que eu acreditava já terem morrido, datas como mil novecentos e sessenta e … vinham a toda hora na minha mente, misturadas com outras datas no futuro como dois mil e tantos …

Foi me dando uma angustia, daquelas que se sente se está sonhando e quer acordar. Tentei acordar e não consegui. Percebi então que era um pesadelo. Tentei manter a calma e pensei, é uma questão de tempo, vai acabar, o pesadelo sempre acaba na pior parte. Vai passar.

Chegando em casa passei por uma praça, sentei no banco. Enquanto as datas ainda se atropelavam na minha cabeça e eu quase me convencendo que estava mesmo na década de 60, ouço um barulho na minha bolsa … estranho aquilo. Eu estava em 1964 e a minha bolsa esta fazendo barulho, quando abro uma coisa laranja festiva tocando uma musiquinha boa, quando abro vejo o rosto de uma pessoa!!!! Que susto! Como pode isso, em 1964 não tinha isso … e mais uma vez as datas na minha cabaça começam a se embaralhar. Lembro que primeira vez que eu vi algo parecido com aquilo era 1995.

Era bem maior, e não aparecia o rosto da pessoa, mas fazia barulho e peso dentro da bolsa.

Isso era um sinal, eu não estava em 1964 … tinha que ser depois de 1995.

Rapidamente foram passando em minha cabeça várias cenas. Engraçado que todas ligadas ao esporte. Brasil ganhando medalha no vôlei e basquete, o Oscar é nosso; o tricampeonato do Chicago Bulls, Nelson Piquet na Honda, Airton Sena, Brasil com as medalhas olímpicas em atletismo … e por fim vem Brasil e futebol. A ficha caiu nessa hora.

Estamos em 2014 e o Brasil é sede da COPA do mundo de Futebol FIFA.

Eu começo a pensar que não estou sonhando, as coisas parecem reais demais.

E o medo, e os presos e a repressão que eu li nos livros, estão de volta!!

Ainda sentada no banco da praça, um arrepiou passa meu corpo. Vejo dois policiais vindo em minha direção. Um deles mais atrás com um rádio de comunicação, o outro mais a frente me olhando fixamente.

Fiquei sentada, lembrando que estava a poucos metros de uma delegacia … o que estava a frente chega bem perto de mim, coloca a mão no meu ombro,

minutos de agonia,

 

 

ele avisa que minha bolsa esta aberta e tem algumas coisas no chão, e que eu devo tomar cuidado!

 

Junto tudo, coloco a bolsa no colo, aperto bem e sem respirar vejo os dois guardas cruzarem a praça na diagonal, entrar na viatura e ir embora.

Agora me sinto segura.

Respiro fundo e tento me lembrar dos meus ensinamentos.

Fecho os olhos, mas logo abro.

Peço desculpas aos mestres,

Mas agora vou ter que reaprender a sonhar, mas desta vez com os olhos bem abertos.

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andeira que sou ando. ando, escrevo, leio e curto a estrada. de pés descalços vou seguindo a vida, abrindo a janela quando chove e com uma mala sempre pronta pra seguir. Partir é parte do caminho e chegada nem sempre o fim.

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