Piripkura, realidade dos dois últimos sobreviventes desse povo.

Tive o grato prazer de assistir Piripkura, no Fórum DOC em BH. Clichê demais falar que sai transformada do filme, que seja, mas foi assim! Uma história que que transita entre do alento ao desânimo me fez viajar por um cenário maravilhoso que é a floresta amazônica e suas contradições. A riqueza que não é sinônimo de abundância e a simplicidade que supre para além das necessidades. Necessário é ter dinheiro ou ter afeto?

“Será que tudo que já foi desmatado não é suficiente para manter a porra desse pais?” E eu completo – até quando, até quanto!

Fiquei feliz por saber que o filme vai entrar em cartaz em março nos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Curitiba e Porto Alegre. Para além dos prêmios que o filme ganhou, muito merecidos a meu ver, fica a experiência de ver e sentir as angustias nossas de todo dia em lugares bem diferentes.  Com as urgências dando lugar ao cotidiano, o fazer do dia, a comida do dia, o abraço do dia e o fogo da vida.

Dias depois de ver o filme, tive que ir para a porta do Parque Municipal, enfrentar a polícia que estava querendo tirar os indígenas que estão ali vendendo seus objetos. Meus argumentos eram jogados por terra por aqueles que tem as leis em pedaços de papel, e não conseguem ver além nem aquém de suas obrigações. Não pensamos mais se vamos ter o fogo para fazer a comida.  Não pensamos mais se teremos que pescar ou plantar, nós não pensamos mais se teremos água limpa para beber.

Nós escolhermos ter o gás canalizado, dinheiro para comprar nos hipermercados e escolhermos colocar químicos, que vão nos matar, para limpar a agua que bebemos. Talvez se não tivéssemos escolhas faríamos, não poluir, não desmatar, não matar. Mas, sem escolhas, saberíamos mais facilmente que iriamos morrer. Talvez, essa seja a maior dor da humanidade. O medo da morte. Isso nos afasta do que é mais primitivo, o que é mais real e o que é mais necessário.

Sem saber, ou sabendo, que a terra é redonda, que não há caminho sem volta, não há meio ambiente, que não há como jogar o lixo fora, não há nada além do ser, sabemos que quem somos, resume nossa vida frágil e pequena.

Pra mim o filme não fala de escolhas. Escolha somos nós que fazemos, eles apenas vivem como sabem viver.

Assista o trailler

Pirapikura video

 

Em março nos cinemas! (mais um clichê)

Assim que sair as salas atualizo

O filme é uma produção Zeza Filmes em associação com Maria Farinha Filmes e GRIFA Filmes.

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andeira que sou ando, escrevo, leio e curto a estrada. de de pés descalços vou seguindo a vida, abrindo a janela quando chove e com uma mala sempre pronta pra seguir. partir é parte do caminho e chegada nem sempre o fim! andeira costa

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