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andeira

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passei a última semana em um lugar onde a comida não faltou, mas posso dizer que é racionada, a cama mesmo pra mim que era de fora, também foi compartilhada. estava num lugar que mesmo tendo energia elétrica o banho é sem chuveiro, é frio. estava em um lugar onde chega o gás de cozinha mas o almoço é feito mesmo no fogão a lenha. estava num lugar onde muita tem gente tem celular, mas nem pense que é iphone – é dos modelos simples mesmo.  estava num lugar onde o poder econômico não permite o ir e vir das pessoas. estava num lugar onde quem tem pouco é porque o gavião pegou os pintinhos ou o porco morreu, e recebe do governo duzentos e dez dinheiros. e quem tem muito recebe oitocentos. estava em um lugar que todos tem casa mas não são donos da terra. estava num lugar que podia ser cuba, lá já estive também. mas nesse lugar o pé de quem foi picado por cobra ficou “ofendido” pois a reza só deu pra salvar a vida, nesse lugar quando pergunto se sabem escrever a maioria das respostas é: aqui falta leitura, até sei ver a letras mas só sei juntar quando tem que firmar o meu nome no papel” podia se cuba mas é brasil. estive uma semana vivendo entre os meus, que sabem na pele o que é preconceito, que sabem que a lei aurea não foi nada mais que um papel, que o orgulho negro é herança de mae e pai pra filhas e filhos, sabem que a tradição é o que nos une a uma terra. nesse lugar o povo sabe muito de política pública e da falta dela. o povo desse lugar ficou feliz quando eu disse que votei na izidora pra prefeita e se algum dia eles romperem o poder econômico e romperem também as barreiras do territórios eles querem conhecer a prefeita eleita de bh. o povo de lá sabe que os mais velhos podem não ver as vitórias, mas empurram seus filhos pra fora com as forças que tem. uns filhotes saíram de lá sábado a caminho de outro preto num passeio que a professora organizou. pra ir tinham que conseguir quarenta dinheiros por pessoa para ter a passagem de quase dia de viagem comida e pouso. esse passeio era pros alunos, mas quando sobrou vaga quem ocupou foram as cantineiras, lágrimas. ajudei com vinte dinheiros a uma menina a sonhar, eu podia dar mais mas não era preciso, eles sabem o valor de tudo. e a amizade que fica não pode ser medida por dinheiros, fica pelas sacas de biscoito e ajuda para fazer as misturas ….  sei que ajudei a dar assas a gente desse lugar, e o que recebi foram sonhos concretizados. isso aqui é bem brasil.

Nossos direitos nos foram negados por tanto tempo que as vezes tenho a impressão que nós estamos nos contentamos com pouco. Pouco avanço pra muita dívida.

Não ao estado de mínimo de participação

Não ao estado mínimo de fala

Não ao estado mínimo de planejamento

Não ao estado mínimo de questionar as burocracias

Não ao estado mínimo de radicalidade

Eu sou pela máxima de direitos.

E por falar em direito, não sou advogada e não sei de outros significados que o termo estado mínimo possa ter, então conto com a generosidade de quem me lê, que me ouça pelo que eu digo e não pelo que está escrito na cartilha que eu desconheço. Não ao estado mínimo de paciência para ensinar e partilhar.

não sou meia, sou parte e sou todo.

A cidade que eu quero tem urgências que não são as minhas

A cidade que eu quero escuta e constrói junto

A cidade que eu quero não tem medo errar, mete as caras e radicaliza

A cidade que eu quero olha pro lado e não pra cima.

A cidade que eu quero não negocia com PM o trancamento de rua – pois os opressores não negociam a violência.

A cidade que eu quero, enfrenta.

A cidade que eu quero não negocia privilégio, denuncia.

A cidade que eu quero não recebe favores, recusa.

A cidade que eu quero não negocia direitos, exige.

A cidade que eu quero não recebe convite pra festa popular, ocupa.

A cidade que eu quero, ouve

A cidade que eu quero, fala

A cidade que eu quero não decepciona

A cidade que eu quero é a cidade que queremos.

Meu sentimento é que estamos agora em um trem, daqueles que dá pra correr e segurar nas laterais e pular pra dentro! Tem uns escorregões, umas pedras soltas nos trilhos! Mas agora estamos no último vagão, vendo a linha do caminho percorrido ficando pequenina na curva! Estamos tomando aquele ventinho gostoso no rosto, num ritmo suave que só o trem tem! Hoje vamos entrar num túnel, em uma estrada que não conhecemos e não sabemos o tamanho! Sem pensar muito, vamos prender a respiração e ver quem ganha a brincadeira!!! Em meio a muitos risos vamos chegar no fim do túnel, vendo que não era tão grande quando pensávamos e a estrada do lado de lá estará bem mais bonita! Eita trem bão sô! Obrigada a todas que toparam fazer essa viagem comigo!! Quem entrou na estação e quem entrou pelo caminho, estamos agora no mesmo trem!!!

 

A de blusa amarela presta contas, enquanto antônia não quer mais votar no menos pior, quer votar na melhor. elisa quer desmitificar a política e as candidatas. willian vai estar sempre junto assim como a claudia que é amiga desde 2011 uma eterna admiradora. gladson é seu eleitor pois te conhece na cozinha da casa. rick faz um cartum que diz que precisamos fortalecer as candidatas da cultura. natan admira as pessoas do palco enquanto robson tem certeza que cida não vai falar só de cultura. andeira fala da prisão e de gente que brilha. gustavo é resistente e não é só pela cultura mas, com ela, que queremos andar juntas. célio é com os jovens que vamos fazer o futuro agora. gigi é atriz e só. bruna tá no circo e querendo saber mais. leo  chegando golpeado, com a cida se sente um pré candidato. marcelo está feliz, estamos vivendo um momento especial é mais que uma candidatura é um movimento importante e feliz. e teve tanta gente gente.

A transversalidade da cultura não pode nos afastar dos temas específicos, para além do voto temos que pensar e fazer a formação política. Uma conversa pública com os artistas dentro do FIQ – tá difícil!!! Qual a dignidade de moradia que queremos com a cultura. Qual escola livre de arte queremos com a cultura! Teatro Marília pra quem? Fecha o Klaus Viana e cria um centro de referência da dança … Palácio da Artes é público mas nem sonho em me apresentar lá … Chico Nunes fechado num parque que proíbe andar de bicicleta … Viaduto fervendo em baixo  … em cima areia pré fabricada atrapalhando a vida dos que precisam passar de ônibus ou carro pelo viaduto. 2 anos de queda do viaduto. Comissão nessa prefeitura é cala boca. Quem mexeu no meu queijo. CULTURA DE FACHADA. Andeira que sou vou embora rápido pois busão depois das 22h só as 5h da matina. Qual é a mobilidade que queremos com a cultura!

isso tudo cabe numa xícara de café no Espanca.

mais que muitas somos tantas!

Feminista, eu?

Pois bem, quem me conhece sabe que eu não faço parte dos movimentos feminista de bh, e essa é uma decisão particular que eu pretendo deixar no particular mesmo. Assim como eu também não vou a marcha da maconha! Enfim, sou mulher e acho que eu tenho direito a escolher quais lugares eu quero estar certo? Sim sou a favor da regulamentação para uso de todas as drogas.

Pois bem, talvez por esse motivo tenha passado na minha timeline, um post de uma Página que fala sobre uma mulher que não é feminista (não, não vou falar qual pagina, pois isso será considerado discurso de ódio por parte de uma petista – sim, acreditem nisso, e eu nem sou petista)

Mas o título me interessou, claro, fui lá ver qual era. Demorei um pouco a chegar em posts que falavam sobre os pontos de vista da Página, e claro pela atual conjuntura, estavam debatendo o caso do estupro. A Pagina em um momento resolve ser didática ao se colocar como não feminista dá suas propostas em contraponto aos que ela chama de propostas feministas.

Uma das propostas é o porte de armas livre para todas as pessoas. Segundo a Página, se todo mundo tivesse uma arma ficaria mais fácil se defender de abusos e estupros. Então eu fiquei pensando: como seria uma filha apontar a arma para um pai ou mãe, ainda mais se esse filho ou filha for uma criança que ainda não tem noção do que está acontecendo. Como seria uma neta apontar uma arma para um avô ou avó, tio ou tia, professor ou professora . Como seria uma pessoa apontar uma arma para um companheiro ou companheira que além da violência sexual muitas vezes pratica a violência psicológica, além de agressões físicas que incapacitam a vítima de uma defesa. Como um garoto apontaria uma arma para um líder espiritual a quem ele tem total respeito e confiança. Como eu teria condições de comprar uma arma e aprender a lidar com ela, sem colocar mais ainda a minha vida em risco. Abre aspas “mais a frente descubro que a página é contra o aborto, por matar o feto” fecha aspas. Sim sou a favor da legalização do aborto, faz quem quer, quem não quer não faz.

suspiro um, e continuo.

Outro argumento é de que se pessoa foi “realmente abusada”, ela deve buscar a delegacia. Ela ainda fala que realmente deve ser difícil, mas que esse isso é fundamental para que se acabar com esse problema, pois só assim todos os culpados serão presos.  E não meu entendimento ficou que se pessoa é abusada e não busca a policia é porque consentiu? Eu fiquei pensando se essa Página já entrou numa delegacia com uma pessoa toda esfarrapada, suja, chorando … se ela sabe como muitas vezes essa pessoa é tratada por policiais, que julgam antes de averiguarem, que questionam para saber os detalhes… que deixam essa pessoa horas até que seja atendida pela pessoa responsável (sim todas as indagações anteriores foram feitas por policiais que nem tinha que fazê-lo) Será que essa página já viu, mulheres, desistindo de denunciar para evitar passar por mais esse constrangimento. Ah mas existem delegacias para mulheres, existe a lei Maria da Penha, sim existe e ainda bem. Mas sabe quantas delegacias existem? Sabe que muitas vezes durante o processo a pessoa abusada e o agressor se encontram frente a frente e ao final voltam juntos para casa, pois como não há flagrante delito, o agressor não pode ser preso, tem que esperar o julgamento. Sabe o que voltar pra casa com a pessoa que te agrediu e que sabe que se inquérito for até o fim ele poderá ficar até seis anos preso, e você volta pra casa  com o agressor ou agressora por não ter pra onde ir? Ah, mas tem casa de abrigo a acolhimento para mulheres em situação de violência. Sabe quantas casas dessas tem em BH, acho que 2 (eu só conheço uma) e sabe quanto tempo se pode ficar lá, 2 dias.

Outro detalhe desse argumento é que se dever ir a delegacia levando o maior número possível de provas. Ei fiquei pensando o que seria provas, eu teria que filmar a agressão. Numa rua a noite sozinha como provar? Ah mas você não deve andar sozinha a noite. E as 5:30 da manhã indo pegar um ônibus para trabalhar, já que moro distante do trabalho. Talvez eu não devesse trabalhar também?

  • Será que os líderes espirituais quando abusam das pessoas, quando pais, mãe abusam dos filhos e filhas, quando as pessoas de classe alta são violentadas, quando as famílias dos militares com grande índice de violência doméstica, entre outros, também são influenciadas pelo funk? Será também pelo Aché, pela MPB, pelas marchinhas de carnaval … pelos livros sagrados …

suspiro dois, e continuo.

Um outro argumento é a castração química. Desse tópico não vou falar muito, pois desconheço o assunto, só vou trazer mais uma fala da Página, sobre os muitos casos de abusos que no futuro são provados que são falsos. Só uma dúvida, isso é reversível. A morte eu eu sei que não é.

Mas tem o lado bom, se deixássemos todos esses argumentos e ficássemos só com um:

Existe machismo, sim essa Página concorda que existe machismo.

suspiro três e vou escrever.

Sem conversa, não há conversa amigos.

Eu deixaria esses argumentos e começaria uma conversa por aí, pelo machismo, mas é uma pena que muitos amigos e amigas, já esqueceram de como se conversa.