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andeira

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hoje fiz um programa que gosto demais, mas faço pouco!

Parei numa cafeteria para comer pão de queijo com chocolate quente, (chocolate quente mesmo – não achocolatado) . Enquanto saboreava meu manjar, olhavas as mesas ao lado, na esperança de ter alguém com quem puxar um assunto!!! Hoje não rolou, os celulares nas mãos de todos, até nos que estavam em grupo, ou casais, não deixavam espaço para uma aproximação!!só não foi de todo mal, pois pude ficar observando a dinâmica da falta de assunto da modernidade! Agora procuro lugares sem wi fi para tomar meu chocolate, alguma dica?

Depois fui para uma livraria, zapear entre livros e títulos sem nada em mente, o famoso, só estou olhando mesmo! O bom é  que x livreirx (não tenho certeza do gênero da pessoa) soube bem atender, e me deixou, assim como as outras pessoas, livres, leves e soltas, saltitando entre os livros, foleando tudo, lendo tudo, indo e vindo – nas estantes e pilhas de livros! Me deixem ler!!!

Parei em alguns títulos já conhecidos, outros que nunca ouvi falar, vi uns que devem ser uma chatura … e outros uma formosura. Peguei uns Gabriel Garcia Marques e Mia Couto, que me são porto seguro nessas horas, mas hesitei!

Disse pra mim mesma, que hoje eu queria ler algo mais leve!! Depois de muitas idas e vindas, de contos a ficção, decidida peguei: Mandela, meu prisioneiro, meu amigo de Christo Brand com Barbara Jones, no caixa pra pagar me deparo Mulheres Cultura e Política de Angela Davis. Levei também. Com os dois livros pagos, lembrando que com isso já havia estourado meu orçamento do mês, ri de mim mesma, pensando: eu queria só um livro leve pra ler no fim de semana!!!

E chego a conclusão que a leveza pra mim é resistência!

Mandem trabalhos para pagar os livros,  mandem cartas, adoro cartas, mandem notícias!

Me encontrem em um banco de praça, no solzinho, lendo um dos meus, e depois encontramos para um chá quente com resenha!

costumo vir a pé pra casa, mas hoje preferi pegar um ônibus, assim pude começar a leitura. comecei por Mandela, já li o prefácio! e já tenho perguntas: o que será que a prisão pode fazer com um bandido, mas desses brandidões mesmo, pessoas que roubam, matam e fazem as piores atrocidades e são presas! o que será que representa pra elas a privação da liberdade?

E para os presos políticos, ativistas: o que será que representa a liberdade pra eles na prisão! será que eles tem noção do legado que carregam quando estão la?

e a conclusão vai mudando, agora penso que liberdade é resistência!

leveza é ler e escrever e mudar, sempre!

edit >>> três dias depois terminei o livro!

o que esperar de um bicho que surrou a galinha, bateu no marreco, levou um coice … ficou engasgado …. tanto a fez o bicho … panela!!!
(esse mini conto é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência)

eis que eu tiro uns dias pra sair desse turbilhão da vida politica brasileira. recuso deliberadamente em participar de imersão, reunião, manifestação (não sem algumas recaídas) cafe da manha com Rafa Tcha Tcha, por exemplo!
 
resolvo fazer brincadeira com os algoritmos na minha campanha de aniversário!
 
resolvo ir a lugares que há muito não ia – tai chi chuam no parque municipal,
 
resolvo mudar a rotina e tomar café na padaria,
 
resolvo ficar em casa pra receber as lembranças!
 
resolvo voltar a fazer o que mais gostava no cinema de rua, que era entrar pra ver um filme só pelo nome (cartaz). Desta vez vez foi na net, zapeando atras de um filme divertido para o domingo a tarde parei nesse. pela cara dos artistas e pelo nome, achei que seria engraçado.
 
assiste também esse curta de 15 minutos, e depois me conta se você acredita que o universo conspira ! hoje vou tomar um café com uma moça que conheci na fila da palestra do Mia Couto, talvez eu até beba um café hoje!
 

minha homenagem ao homem que mudou minha forma de ver a arte. ainda na faculdade, estava cansada da subjetividade das artes e resolvi estudar física. queria a concretude das ciências exatas. o livreiro da antiga Van Damme me indicou Stephem W. Hawking, mas nada de efeitos gráficos, ilustrações maravilhosas. Foi simplesmente seu “primeiro livro para leigos”, [imagina os livros dele para cientistas] sem desenhos ou facilidades. escrita pura sobre os buracos negros. de onde vem o cosmo. se o universo teve início. universo em expansão ou em retração. … eu voltei para artes achando concreto demais o tom e o cheiro das cores.

Piripkura, realidade dos dois últimos sobreviventes desse povo.

Tive o grato prazer de assistir Piripkura, no Fórum DOC em BH. Clichê demais falar que sai transformada do filme, que seja, mas foi assim! Uma história que que transita entre do alento ao desânimo me fez viajar por um cenário maravilhoso que é a floresta amazônica e suas contradições. A riqueza que não é sinônimo de abundância e a simplicidade que supre para além das necessidades. Necessário é ter dinheiro ou ter afeto?

“Será que tudo que já foi desmatado não é suficiente para manter a porra desse pais?” E eu completo – até quando, até quanto!

Fiquei feliz por saber que o filme vai entrar em cartaz em março nos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Curitiba e Porto Alegre. Para além dos prêmios que o filme ganhou, muito merecidos a meu ver, fica a experiência de ver e sentir as angustias nossas de todo dia em lugares bem diferentes.  Com as urgências dando lugar ao cotidiano, o fazer do dia, a comida do dia, o abraço do dia e o fogo da vida.

Dias depois de ver o filme, tive que ir para a porta do Parque Municipal, enfrentar a polícia que estava querendo tirar os indígenas que estão ali vendendo seus objetos. Meus argumentos eram jogados por terra por aqueles que tem as leis em pedaços de papel, e não conseguem ver além nem aquém de suas obrigações. Não pensamos mais se vamos ter o fogo para fazer a comida.  Não pensamos mais se teremos que pescar ou plantar, nós não pensamos mais se teremos água limpa para beber.

Nós escolhermos ter o gás canalizado, dinheiro para comprar nos hipermercados e escolhermos colocar químicos, que vão nos matar, para limpar a agua que bebemos. Talvez se não tivéssemos escolhas faríamos, não poluir, não desmatar, não matar. Mas, sem escolhas, saberíamos mais facilmente que iriamos morrer. Talvez, essa seja a maior dor da humanidade. O medo da morte. Isso nos afasta do que é mais primitivo, o que é mais real e o que é mais necessário.

Sem saber, ou sabendo, que a terra é redonda, que não há caminho sem volta, não há meio ambiente, que não há como jogar o lixo fora, não há nada além do ser, sabemos que quem somos, resume nossa vida frágil e pequena.

Pra mim o filme não fala de escolhas. Escolha somos nós que fazemos, eles apenas vivem como sabem viver.

Assista o trailler

Pirapikura video

 

Em março nos cinemas! (mais um clichê)

Assim que sair as salas atualizo

O filme é uma produção Zeza Filmes em associação com Maria Farinha Filmes e GRIFA Filmes.

Experiência Inspiradora com AMZ projetcs em Alter do Chão

Inspire-se Trip/ Alter do Chão será o primeiro encontro entre AMZ projects e Experiências Inspiradoras. Um momento para se conectar com várias formas de inspiração no exuberante cenário da região Amazônica. A data foi pensada especialmente para você se inspirar ainda mais com a energia e a beleza da Lua Cheia! Alter do Chão fica situada à margem do Rio Tapajós, no estado do Pará, e é formado por uma infinita beleza natural e cultural.

Se você, como nós, adora natureza, tranquilidade e beleza, Alter do chão é uma experiência que você não pode perder.

Alter do Chão um lugar que poucas pessoas já foram, mas que muitas querem voltar. Serão 5 dias a bordo de um barco regional, equipado com conforto e segurança, sem deixar de lado a tradição. Venha ter essa Experiência Inspiradora com uma equipe que conhece muito bem cada refúgio deste lugar magnífico a AMZ projects.

ROTEIRO ALTER DO CHÃO NA LUA CHEIA

→DIA 20 – segunda feira

Início da experiência. Chegada em Santarém. Transfer (não incluso), de aproximadamente 40 minutos até a Vila de Alter do Chão. Aproveite o dia para conhecer a Vila e tirar todas as suas dúvidas sobre o roteiro. Vejam o nosso guia, Love Planet, que deixaremos impresso na sua pousada, com dicas de Alter!  Noite em pousada de sua escolha (não incluso).

→DIA 21 – terça feira

O dia começa cedo para aproveitarmos com calma e tempo para contemplação todos os detalhes deste lindo lugar. Após o delicioso café da manhã na pousada vamos conhecer o barco Dom Giuseppe que será nossa casa fluvial durante os próximos 5 dias. Reconhecimento feito e todos instalados iniciaremos a navegação pelo Rio Arapiuns até a Ponta do Icuxi, onde será o nosso primeiro banho! A navegação dura em torno de 2 horas. Uma bela praia com água azul cristalina e pequenas dunas de areia branca. Hora de relaxar e se preparar para uma grande experiência sensorial por essa bela região amazônica. Para quem quiser uma ajuda para se conectar com as energias haverá uma aula de yoga. Opcional massagem relaxante. Todas as refeições serão feitas no barco. O menu inclui comidas regionais para apurar nosso paladar. A tarde visitaremos dois projetos de base comunitária, em Anã, que mantém o sustento de várias famílias com o uso responsável e sustentável dos recursos naturais. Projeto Melipomel – criação de abelhas sem ferrão, e o projeto MUSA (Mulheres Sonhadoras em Ação) com a criação de tambaqui.Para emoldurar o dia temos a lagoa de Anã, ótimo lugar para treinar o equilíbrio nas pranchas de stand-ups ou apenas apreciar a beleza curtindo as areias claras e a água boa. A noite, em um belo lual, é o momento ideal para apreciar o céu e trocar as primeiras experiências. Dormiremos atracados no abrigo de Caracaraí, que fica há 40m de Anã.

→DIA 22 – quarta feira

Café da manhã na praia de Caracaraí, alongamento e aula de yoga para começar bem o dia. Temos até a hora do almoço para aproveitar essa linda praia. Opcional massagem relaxante. Depois do almoço embarque e navegação para a comunidade de Arimum, onde encontraremos os famosos artigos em cestaria. Mais um ótimo momento de interação com a comunidade local além  da visita a igarapés maravilhosos, onde mais um banho delicioso nos espera. No fim da tarde embarcaremos para Atodi. Após o jantar o descanso é merecido pois o próximo dia começa cedo com uma bela caminhada. Para pegar no sono nada melhor que observar o céu! Bons sonhos!

Atodi Alter do Chão→DIA 23 – quinta feira

Acordar cedinho, de preferência vendo o sol nascer no Rio….Depois de dois dias de muita água, vamos colocar os pés na terra por cerca de 4 horas (11km) na trilha do Castanheiros, em Atodi, conhecendo a floresta primária, tomando banho em igarapé de água cristalina e de argila branca medicinal. Depois do almoço vamos conhecer a casa de farinha e aprender um pouco da incrível tecnologia artesanal e milenar de fazer farinha, tucupi , tapioca e tudo mais que se pode extrair da mandioca. Fim da tarde vamos navegar até a Ponta Grande, e para refazer do dia longo, poderemos fazer uma aula de yoga, stand-up ou simplesmente relaxar em uma belíssima praia. E para fechar o dia com chave de ouro, após o jantar teremos um cinema ao ar livre. Aguardem!!! Opcional massagem relaxante.

→DIA 24 – sexta feira

Para manter a energia equilibrada, após o café, aula de yoga e toda a manhã para aproveitar bem a praia da Ponta Grande, uma das mais belas da região. Após o almoço vamos navegar para Ponta do Icuxi. A experiência de estar num local isolado é única… excelente para meditar e contemplar as, águas calmas e um belo pôr-do-sol. Opcional massagem relaxante. Ótimo dia para um Lual e um cineminha, onde poderemos admirar a lua cheia!

→DIA 25 – sábado

A navegação começa as 4 da manhã, enquanto estamos acordando. Chegamos bem cedo na Floresta Nacional Tapajós – FLONA, que é a unidade de conservação federal na categoria de floresta nacional que mais abriga pesquisa científica no país. Aportamos na Ponta do Maguari, onde teremos a nossa última aula de yoga, e começamos a fechar nosso ciclo inspirador. Após o almoço despedida da praia e igarapé de Jamaraquá. No início da noite começamos nossa navegação de volta a Alter do Chão, se despedindo da Lua Cheia. No barco faremos nossas despedidas com um lanche de agradecimento. Chegando em Alter, desembarque e retorno às pousadas, com transfer. Fim do nosso roteiro, mas as experiências desses dias ficarão para sempre! Noite em Pousada de sua escolha (não incluso).

→DIA 7 – 26 domingo

Aproveite para comprar as últimas  lembrancinhas e se despedir de Alter do Chão, tomando um banho de rio na praia da vila. Transfer para aeroporto de Santarém (não incluso).


VALORES PARCELADOS ATÉ 20 DIAS ANTES DA VIAGEM

Barco Alter do Chão ♦ Cabine tripla: R$3.900 por pessoa.

♦ Cabine dupla : R$4.300 por pessoa

♦ Cabine single: R$7.300 por pessoa.

Número mínimo: 15 pessoas.

​Caso não atinjamos o número mínimo até dia 20 de junho, o valor será devolvido integralmente ou podemos sugerir outras opções de roteiro. Mais informações:  AndeiraCosta |  AMZ projetcs


INCLUI

  • ​hospedagem em barco durante 5 dias • roupas de cama e toalhas nas cabines • tripulação experientes • cozinheira(s) • lancha de apoio • alimentação [café da manhã, lanches, almoço e jantar com sucos naturais e sobremesa] • passeios descritos no roteiro com guias locais e taxas comunitárias • equipamentos de praia • bebidas alcoólicas [cerveja cerpa gold e caipirinhas de frutas com cachaça e vodka] • barman  • anfitrião AMZ • roteiro impresso  • guia de dicas de alter dochão: love planet • assessoria online pré viagem • logística e produção  • assistência 24hrs durante a viagem  • kit de higiene biodegradável [sabonete, shampoo, pó dental e desodorante] • transfer da pousada até o porto, ida e volta

NÃO INCLUI

  • ​passagens aéreas. indicamos a PASSAGENSPROMO • passeios e despesas extras, que não estão descritos no roteiro • hospedagem em Alter [podemos incluir no atendimento ao cliente] • transfer aeroporto – pousada ida e volta [podemos sugerir opções] • seguro viagem. temos ótimos preços com a  SEGUROPROMO 

 

Devia ser 1977, sai com minha mãe. De mão dada fui passeando pela cidade de União da Vitória PR, vendo pessoas entregando papeis que eu não podia pegar, minha mãe não deixava. Se pegar de um vai ter que pegar de todos!! dizia ela. Minha mãe entra numa cabine de madeira, fecha a cortina de tecido e vota. Na época MDB e ARENA, não sei em quem ela votou, mas sei quem ganhou – para prefeito foi Arena (vide site do TRE).

Tenho uma relação particular sobre religião. Acho um assunto bem particular para ser tratado dentro de círculos muito próximos e de muito afeto. Fui criada no catolicismo, batizada, fiz primeira comunhão na igreja católica e por escolha não fiz a Crisma. Para quem não sabe – Crisma é uma confirmação do batismo – e na época não aceitava várias condutas da Igreja que frequentava e resolvi que ali não era meu lugar de fé..

Sim frequentava, ia a missa todo sábado, fazia parte do Grupo de Jovens [Jovens amigos de Cristo] na paróquia do Bairro Floramar. fazia campanha do quilo e as quinta feiras ajudava no Sopão que era distribuído as pessoas carentes do Bairro.

Segunda feira era dia de reunião Espírita no Espaço Caminhos para Jesus, ia tomava passe, recebia mensagem psicografada. Em alguns dias do ano ajudava minha mãe a lavar a casa com sal grosso e outras folhas, deixava doces no Jardim pros Meninos de Angola outros diziam que era pra Cosme e Damião, mas eu sempre soube que era pros Meninos de Angola mesmo.

Em minha casa tinha duas Bíblias, uma espírita e outra evangélica, católica mesmo acho que nunca teve. Mas minha mãe sempre disse, se quiser ler a Bíblia qualquer uma serve . Tinha também Nosso Lar, alguns livros de meditação budista … letras de pontos de Umbanda, Candonblé até hoje não sei a diferença – mas também não faz diferença quando o respeito é igual. Respeito igual sempre tive pelas imagens de cristo na cruz, pela Nossa Senhora das Dores, e do Preto Velho sentado fumado seu cachimbo que enfeitavam as estantes da casa

Em um ano que a Mulher foi tema da Campanha da Fraternidade eu fui Jesus na procissão da semana Santa. Fiquei bem irritada com o Padre pois tive que ficar horas com os braços levantados na hora da crucificação – e vou te falar uma coisa, não é fácil!!!!!

Nessa Igreja Católica, vivi momentos bem legais outros nem tanto. Conheci um seminarista que decidiu se casar espero que esteja feliz até hoje – era o Lutcho (ele era de algum pais Latino) Outro seminarista que era negro, filho de mãe de Santo na Bahia, usava cabelo rasta, e tinha umas guias penduradas no pescoço junto ao crucifixo. E quando era perguntado, não hesitava em dizer que era filho de mãe de Santo e isso ele não iria mudar, mas a fé dele era em Cristo e por isso iria ser padre sem deixar de lembrar de sua história.

Esse é o Clovis, se ordenou de cabelos curtos ou careca não me lembro, em uma roupa branca linda, com a igreja sem nenhum banco mas  com música e muito axé escrito em grandes faixas nas paredes da igreja. Pra ele fazer isso teve que ter uma autorização especial do Bispo, Papa, sei lá de quem. Não foi fácil para ele mas nós achamos o máximo – foi quase uma missa Conga! feliz! Depois disso ele foi mandado para outra cidade e nunca mais tivemos notícia, quem sabe esse post me ajuda a achar esse Padre, (Clovis – ordenou por volta dos anos 90 na paróquia do Bairro Floramar em BH) espero que esteja de novo com os cabelos lindos levando a palavra e muito afeto como fez com o nosso grupo de jovens.

Pois bem não foram só coisas boas que vivi nas religiões que tive acesso, por isso escolhi outros caminhos, mas deixemos os problemas pra outros texto! por isso certamente eu não faria opção de sair de minha casa para ir ver uma peça de teatro ou um filme que fale desse tema. Mas a minha formação por sí, já fala da tolerância. E não fui criada com verdades absolutas, fui criada para fazer escolhas. livre arbítrio, carma, responsabilização e respeito.

Hoje quando vejo uma pessoa sendo proibida de encenar uma peça que fala de afeto através de textos religiosos – fico espantada. Fico chocada, e então eu saio da minha pele para me colocar no lugar de uma outra mulher. Me coloco no lugar de uma mulher que assim como eu fiz, está se colocando no lugar de Jesus. Hoje saio de minha casa para ir ver essa peça e convido os amigos para irem também, pois para além da religião estamos falando de fé.

Fé que podemos ser pessoas bem melhores.

O EVANGELHO SEGUNDO JESUS, RAINHA DO CÉU  está em temporada em BH na FUNARTE do dia 5 a 8 outubro. Ingressos

Na minha pele. (Lázaro Ramos)

Não é um livro. Coisas assim não deveriam nem ocupar as estantes nas livrarias, muito menos deviam ser vendidas.

É muito mimimi. Isso que não chamo de livro, (usa a linguagem do texto e o suporte do papel para existir) fala de coisas tão corriqueiras, tão comuns, tão do dia a dia que nem deveriam estar ali. Nem causam espanto por serem comuns. Esse moço não fala de exceção, ele fala da regra.

A regra é essa.

A regra é que todo mundo tem o poder de ser invisível. Quanto mais a pele é branca, menor é o poder. O máximo do poder é de quem tem a pele negra, preta. Esse consegue passar desapercebido, nas escolas, nos bares, nos teatros, entre os médicos ou engenheiros, nos altos postos do governo, na publicidade ….

Normal, essa é a regra. Sou eu que saí da curva. Filha de mãe branca e pai preto, tenho meus privilégios. Criada na estrada, sem muitos vínculos, os problemas de não ter pares nas escolas, estavam em outro lugar. Viver a juventude num bairro pobre, mas chegando com essa história de não se enturmar, não fazia diferença. Na minha rua minha melhor amiga era irmã de traficante (esse rótulo é do bairro) hoje com o meu distanciamento, só posso pensar que aquele rapaz era no máximo um usuário, mas como era negro, ora bolas, traficante. Meus outros amigos, da PM, pois na periferia o caminho são dois, tráfico ou polícia. Ate hoje não sei como andei por esses mundos e não segui nenhum deles, acho que andei pela minha juventude como andei pela vida sem parar em lugar algum!

Voltando ao não livro, vocês acreditam que esse moço fala de livro infantil? Céus, a maior parte dos meus amigos tem filhos, e eles não tem esse mimimi para escolher livros. Eles sim se preocupam com a idade, se o tema está de acordo com a compressão, se o material e resistente (se for o caso de aguentar as mordidas da turma) se é bonito, se cabe no orçamento e pronto. Ah!!!!!!! Mas, esqueci de dizer que a maioria dos meus amigos com filhos são brancos. E as questões de representatividade não são uma questão para eles, nem minha até ontem. Até ontem, todos os livros que eu dei de presente, só foram avaliados por estes itens. Até ontem.

Sim eu li Monteiro Lobato. Sim e gostava da Cuca e já fiquei horas com uma peneira esperando o redemoinho para pegar o Saci. E um vez eu peguei!!! Nossa foi uma alegria, é uma emoção que eu sinto novamente cada vez que lembro do dia. Foi certeiro. Joguei a peneira e pude até ver ele lá debaixo, mas me atrapalhei na hora de levantar e colocar na garrafa. Fiquei dias triste com a minha falta de habilidade por deixar o Saci escapar … Até hoje faço silêncio ao passar por um bambuzal, talvez eu possa ouvir ele lá no meio!  Sim essa foi a infância que deu pra mim. Não tenho como mudar o que eu li, o que eu vi, o que eu vivi. Mas posso mudar o que eu posso fazer agora. Mas todas as crianças que eu conheço – vão saber da minha história com o Saci, e não há mimimi que me tire esse prazer! E quem me apresentou o Saci, sim foi Lobato.

Este não livro, fala de tantas outras coisas corriqueiras que não vou perder meu tempo em falar mais veja lá e depois me digam se é ou não é comum.

E a prova que isso não é um livro, e que ele nem tem fim. Ele traz páginas sem escrita para que possamos mudar o fim dessa história, pois definitivamente não dá pra continuar sendo corriqueiro, comum, natural, mimimi isso que é tão grave, tão assustador tão destruidor: o racismo. O racismo que não é exceção, que é regra, não deveria nem existir. Já que existe que bom que existe não livros que falem disso!

Feliz pelos 46 anos de muitas caminhadas triste só pra fazer rima.

Feliz por todos que compartilharam a comida ontem e triste por aqueles que não chegaram.

Podemos ser alegres e triste ao mesmo tempo e com a mesma intensidade;

Feliz pela atleta Karina Oliani que se torna a primeira mulher sulamericana a subir as duas faces do Everest  e triste pelas mortes que marcam mais um dia do gigante branco. (até o momento 3 sonhos chegam ao céu)

Triste pela forma que nós temos tratado a prisão da Andrea Neves, feliz por saber que seus atos possam ser julgados e ela responsabilizada. Triste por saber que nós podemos ser bem melhor que ela, mas tem hora que não mostramos isso. Feliz pois podemos mudar.

Hoje alegre pela partilha dos amores e triste pelos pedaços.

A todos que partilharam mais essa empreitada que não faltem pedaços nem amor.

imagens de livre inspiração cedidas sem querer por Mãe, Patricia Brito, Adriano Matos, Du Pente.